domingo, 22 de março de 2009

O Príncipe

“Quando os ricos percebem que não podem resistir à pressão de massa, unem-se, prestigiando um dos seus e fazendo-o príncipe, de modo a poder perseguir seus propósitos à sombra da autoridade soberana. O povo, por outro lado quando não pode resistir aos ricos procura exaltar e criar um príncipe dentre os seus que o proteja com sua autoridade”.
Maquiavel

No livro O Príncipe, Maquiavel desenvolve, de maneira exemplificada, os passos necessários para uma boa liderança. Usa-se do termo príncipe para demonstrar soberano, mas, a aplicabilidade de seus conceitos vai além da monarquia, abrangendo o poder como um todo. Hoje, no Brasil enfrentamos um momento de grande corrupção, onde a mídia fala a realidade, mas ainda mascara algumas verdades e nós, cidadãos, apenas reclamamos, mas nada fazemos. Esse trecho de Maquiavel ilustra claramente o momento político brasileiro, onde temos a massa “protegida” pela autoridade e os ricos prosseguindo com seus propósitos, sejam empresariais ou políticos. É fato que há uma falsa idéia de proteção à massa, mas para muitos, ganhar algum dinheiro do governo no final do mês é suficiente para que se sintam atendidos em seu papel de eleitor. A maneira como Lula ascendeu ao poder e como hoje o mantém e o manteve desde 2002 é claramente uma atitude de “príncipe”, com alianças necessárias e com posturas que convencem a quem é viável convencer.

terça-feira, 17 de março de 2009

um ponto

eu olhava pela janela e pensava
nas tantas coisas que passam por nós sem que as vejamos,
parece pessimista pensar assim, mas,
muitas vezes,
não notamos a presença das coisas
às vezes, estão há tempos num mesmo lugar
mas, ao subtamente decidirmos prestar atenção,
parecem novas aos nossos olhos.
e as pessoas?

domingo, 15 de março de 2009

Racismo

Não venho aqui acusar alguns por essa prática, nem mesmo defender negros, tampouco afirmar que não sou preconceituosa, pois tenho consciência de que, de alguma forma, todos têm seus preconceitos. Por piores que sejam, eles existem silenciosos até o momento em que despertam por motivos quaisquer. Venho simplesmente para falar sobre um documentário passado ontem na TV Brasil e sugerir uma reflexão. O documentário tratava de como a telenovela brasileira inseriu e insere o negro, desde a TV Tupi até a atualidade, com as superproduções globais. E constatou que a inserção sempre foi rodeada de muito racismo, principalmente por conta das exigências da audiência, uma sociedade com falso discurso de igualdade racial. Atores entrevistados como Milton Gonçalves afirmaram que por muito tempo atores brancos foram contratados para papéis principais como negros, caso da atriz Lucélia Santos em Escrava Isaura. E isso acentua e deixa claro a pré-estabelecida idéia de inferioridade negra, vinda desde o período colonial e enraizada na cultura brasileira. Também citou uma certa novela que se passava em uma favela, mas na qual nem mesmo os figurantes eram negros, o que mostra uma total contradição com o discurso de uniformidade. Os negros, até meados dos anos 80, comumente eram convidados para papéis estereotipadas de escravos, boas empregadas, meninos abandonados, mas, de boa índole e mães de leite bondosas. Além disso, a liberdade aos escravos era quase sempre mostrada como uma boa ação de senhores brancos abolicionistas e não como uma luta também de escravos. Por fim, mostra que, perto dos anos 90 apenas, é que núcleos negros apareceram com frequencia, e até sem sofrer qualquer tipo de preconceito dentro de seus papéis. A questão se resume então, em como o negro foi e é visto pela sociedade, brancos e negros, pois as novelas procuram espelhar a realidade, e durante muito tempo esta foi de submissão do negro pelo branco, mas hoje já não é mais, ou, pelo menos, não deveria ser. Com todo o avanço, porém, mostrar inserção não é apenas colocar núcleos só de negros, é apresentar a realidade, às vezes despida de preconceitos e com caráter igualitário, às vezes cercada pela falta de respeito racial fora das telas.