sábado, 16 de maio de 2009
daquilo que se sabe
Hoje venho falar de algo intrigante, que causa, causou e causará sempre sentimentos intensos. Algo que é certeza, mas, imprevisto. Que não se explica, mas se sabe, e se entende, ou se força a entender. É uma transcendência tênue, na qual perde-se o palpável, mas ganha-se o ilusório. Onde só uma parte reconhece o existente, já então sem existência. Faz o medo tomar dimensões fantasiosas, porque o que agradou pode não mais agradar, a não ser quando em imagem, fixa, estática e imutável, captada ainda no que passou. Esse sim é, desse algo, o ponto mais cobiçado, apegar-se a ele é sobreviver, sustentar o que vai além do visível. Algo que é memória. Que, para uns, diz mais que para outros, que, para uns, dói mais que para outros. Que não é sempre igual, é único a cada momento. E deixa marcas intransferíveis, até eternas. É talvez a mais estranha compreensão da vida. A morte.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Artigo de Luxo
Apesar de estarmos na era da informação, essa realidade ainda apresenta-se limitada para boa parte dos cidadãos. Nem todas as pessoas têm acesso a informação e quando têm, nem sempre possuem senso crítico para julgar a credibilidade de tal. Saber muito e estar “antenado” são coisas que custam caro e isso não é uma realidade para todos. As chamadas revistas culturais, por exemplo, custam cerca de R$12,00 e as grandes revistas semanais cerca de R$8,00, não é, de maneira alguma, um valor acessível a pessoas de baixa renda e nem mesmo a estudantes. É fato, entretanto, que muitas pessoas não se interessam por tal tipo de consumo, mas é também fato que há muitas outras que desejariam bastante poder consumir diversas revistas, mas não podem e se contentam em comprar edições antigas, a menores preços, ou em juntar dinheiro para comprar tais produtos apenas algumas vezes.
A vontade de se informar choca-se ainda com algumas limitações da realidade de pessoas que não têm acesso integral à internet e menos ainda condições para comprar revistas. Até mesmo na classe média, onde o acesso à internet é amplo, os periódicos representam uma vontade contida, pois não há condições para a compra de tais produtos tanto quanto se desejaria, principalmente ao se falar em estudantes. Parece irreal que na atualidade as pessoas tenham dificuldade de informação, mas é fato, mesmo existindo um leque grande de opções e acessos, como a mídia televisiva, que é, indiscutivelmente, um grande facilitador da informação, e o rádio. Entretanto, selecionar a credibilidade cabe ao telespectador, que nem sempre o faz da melhor maneira, e termina por achar que escolhe a programação, quando na realidade é condicionado a escolhê-la, pela própria pressão midiática, inclusive porque a TV que mais oferece variedade é paga, e, portanto, também limita seu consumo.
Expandir-se para canais de comunicação com maior diversidade e qualidade de informação é algo difícil e assim, apesar das pessoas depararem-se com várias fontes, terminam por optar por aquilo que se apresenta mais fácil e barato. Um conformismo que limita a informação consumida a um senso comum, por mais que se anseie abertura de horizontes.
A vontade de se informar choca-se ainda com algumas limitações da realidade de pessoas que não têm acesso integral à internet e menos ainda condições para comprar revistas. Até mesmo na classe média, onde o acesso à internet é amplo, os periódicos representam uma vontade contida, pois não há condições para a compra de tais produtos tanto quanto se desejaria, principalmente ao se falar em estudantes. Parece irreal que na atualidade as pessoas tenham dificuldade de informação, mas é fato, mesmo existindo um leque grande de opções e acessos, como a mídia televisiva, que é, indiscutivelmente, um grande facilitador da informação, e o rádio. Entretanto, selecionar a credibilidade cabe ao telespectador, que nem sempre o faz da melhor maneira, e termina por achar que escolhe a programação, quando na realidade é condicionado a escolhê-la, pela própria pressão midiática, inclusive porque a TV que mais oferece variedade é paga, e, portanto, também limita seu consumo.
Expandir-se para canais de comunicação com maior diversidade e qualidade de informação é algo difícil e assim, apesar das pessoas depararem-se com várias fontes, terminam por optar por aquilo que se apresenta mais fácil e barato. Um conformismo que limita a informação consumida a um senso comum, por mais que se anseie abertura de horizontes.
domingo, 22 de março de 2009
O Príncipe
“Quando os ricos percebem que não podem resistir à pressão de massa, unem-se, prestigiando um dos seus e fazendo-o príncipe, de modo a poder perseguir seus propósitos à sombra da autoridade soberana. O povo, por outro lado quando não pode resistir aos ricos procura exaltar e criar um príncipe dentre os seus que o proteja com sua autoridade”.
Maquiavel
No livro O Príncipe, Maquiavel desenvolve, de maneira exemplificada, os passos necessários para uma boa liderança. Usa-se do termo príncipe para demonstrar soberano, mas, a aplicabilidade de seus conceitos vai além da monarquia, abrangendo o poder como um todo. Hoje, no Brasil enfrentamos um momento de grande corrupção, onde a mídia fala a realidade, mas ainda mascara algumas verdades e nós, cidadãos, apenas reclamamos, mas nada fazemos. Esse trecho de Maquiavel ilustra claramente o momento político brasileiro, onde temos a massa “protegida” pela autoridade e os ricos prosseguindo com seus propósitos, sejam empresariais ou políticos. É fato que há uma falsa idéia de proteção à massa, mas para muitos, ganhar algum dinheiro do governo no final do mês é suficiente para que se sintam atendidos em seu papel de eleitor. A maneira como Lula ascendeu ao poder e como hoje o mantém e o manteve desde 2002 é claramente uma atitude de “príncipe”, com alianças necessárias e com posturas que convencem a quem é viável convencer.
Maquiavel
No livro O Príncipe, Maquiavel desenvolve, de maneira exemplificada, os passos necessários para uma boa liderança. Usa-se do termo príncipe para demonstrar soberano, mas, a aplicabilidade de seus conceitos vai além da monarquia, abrangendo o poder como um todo. Hoje, no Brasil enfrentamos um momento de grande corrupção, onde a mídia fala a realidade, mas ainda mascara algumas verdades e nós, cidadãos, apenas reclamamos, mas nada fazemos. Esse trecho de Maquiavel ilustra claramente o momento político brasileiro, onde temos a massa “protegida” pela autoridade e os ricos prosseguindo com seus propósitos, sejam empresariais ou políticos. É fato que há uma falsa idéia de proteção à massa, mas para muitos, ganhar algum dinheiro do governo no final do mês é suficiente para que se sintam atendidos em seu papel de eleitor. A maneira como Lula ascendeu ao poder e como hoje o mantém e o manteve desde 2002 é claramente uma atitude de “príncipe”, com alianças necessárias e com posturas que convencem a quem é viável convencer.
terça-feira, 17 de março de 2009
um ponto
eu olhava pela janela e pensava
nas tantas coisas que passam por nós sem que as vejamos,
parece pessimista pensar assim, mas,
muitas vezes,
não notamos a presença das coisas
às vezes, estão há tempos num mesmo lugar
mas, ao subtamente decidirmos prestar atenção,
parecem novas aos nossos olhos.
e as pessoas?
nas tantas coisas que passam por nós sem que as vejamos,
parece pessimista pensar assim, mas,
muitas vezes,
não notamos a presença das coisas
às vezes, estão há tempos num mesmo lugar
mas, ao subtamente decidirmos prestar atenção,
parecem novas aos nossos olhos.
e as pessoas?
domingo, 15 de março de 2009
Racismo
Não venho aqui acusar alguns por essa prática, nem mesmo defender negros, tampouco afirmar que não sou preconceituosa, pois tenho consciência de que, de alguma forma, todos têm seus preconceitos. Por piores que sejam, eles existem silenciosos até o momento em que despertam por motivos quaisquer. Venho simplesmente para falar sobre um documentário passado ontem na TV Brasil e sugerir uma reflexão. O documentário tratava de como a telenovela brasileira inseriu e insere o negro, desde a TV Tupi até a atualidade, com as superproduções globais. E constatou que a inserção sempre foi rodeada de muito racismo, principalmente por conta das exigências da audiência, uma sociedade com falso discurso de igualdade racial. Atores entrevistados como Milton Gonçalves afirmaram que por muito tempo atores brancos foram contratados para papéis principais como negros, caso da atriz Lucélia Santos em Escrava Isaura. E isso acentua e deixa claro a pré-estabelecida idéia de inferioridade negra, vinda desde o período colonial e enraizada na cultura brasileira. Também citou uma certa novela que se passava em uma favela, mas na qual nem mesmo os figurantes eram negros, o que mostra uma total contradição com o discurso de uniformidade. Os negros, até meados dos anos 80, comumente eram convidados para papéis estereotipadas de escravos, boas empregadas, meninos abandonados, mas, de boa índole e mães de leite bondosas. Além disso, a liberdade aos escravos era quase sempre mostrada como uma boa ação de senhores brancos abolicionistas e não como uma luta também de escravos. Por fim, mostra que, perto dos anos 90 apenas, é que núcleos negros apareceram com frequencia, e até sem sofrer qualquer tipo de preconceito dentro de seus papéis. A questão se resume então, em como o negro foi e é visto pela sociedade, brancos e negros, pois as novelas procuram espelhar a realidade, e durante muito tempo esta foi de submissão do negro pelo branco, mas hoje já não é mais, ou, pelo menos, não deveria ser. Com todo o avanço, porém, mostrar inserção não é apenas colocar núcleos só de negros, é apresentar a realidade, às vezes despida de preconceitos e com caráter igualitário, às vezes cercada pela falta de respeito racial fora das telas.
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